segunda-feira, 21 de novembro de 2011

O Sargento que lutou contra a ditadura


 Pedro Lobo nos tempos de cabo da cavalaria


Pedro Lobo de Oliveira nasce em 28 de julho de 1931 no bairro de Favorita, município de Natividade da Serra. Para fugir da miséria que assola a região, no início dos anos 50 ele abandona seu torrão natal em busca de um eldorado chamado Mato Grosso. No caminho, quase se torna escravo branco em uma plantação de bananas, trabalha como servente de pedreiro, metalúrgico, e acaba engajado na Força Pública, hoje Polícia Militar. 
        Contagiado pela luta ideológica que divide o mundo durante a Guerra Fria, o então sargento Lobo se converte ao socialismo e passa a militar no Partidão de Luís Carlos Prestes. Considerando-se um operário fardado — cuja ferramenta de trabalho é um fuzil —, ele adere à tese da luta armada e vai às últimas consequências quando ajuda a fundar uma das mais ativas organizações guerrilheiras que atuam no país durante os Anos de Chumbo.
        Companheiro do lendário Capitão Carlos Lamarca e seguidor ardoroso das teorias foquistas de Ernesto Che Guevara, Pedro se converte em Getúlio ou Gegê, para mergulhar de cabeça na luta contra a ditadura implantada a ferro e fogo em março de 1964.
           Odiado pelos militares por sua obstinação e bravura, o militante da Vanguarda Popular Revolucionária é preso e massacrado nos cárceres da repressão política. Solto durante as negociações pela libertação de um embaixador sequestrado, ele passará pela Argélia, Cuba, Chile e Argentina, antes de se fixar na Alemanha Oriental, do outro lado do que o Ocidente convencionou chamar de A Cortina de Ferro.
       Sobrevivente de uma guerra sem regras, Pedro volta ao Brasil com a anistia e é reintegrado à Polícia Militar como se sua vida encerrasse um caprichoso ciclo. Hoje capitão, ele se mantém a postos para retomar a luta de resistência caso a democracia seja novamente ameaçada. Obstinação, desprendimento, aventura e muita emoção não faltam na memórias desse brasileiro de vida ímpar.
  E a vida desse herói está registrada no livro Pedro e os Lobos - Os Anos de Chumbo na trajetória de um guerrilheiro urbano, que acaba de ser indicado finalista na categoria Reportagem do Prêmio Jabuti 2011.




FRASES DE PEDRO TIRADAS DO LIVRO PEDRO E OS LOBOS

A gente queria fazer a revolução em benefício do humano e ali estava eu, tendo de matar. 

O Brasil era cheio de latifúndios improdutivos enquanto a maioria dos camponeses não tinha onde plantar e vivia na mais absoluta miséria. Eu acreditava que, se dividindo a terra, seria possível aumentar a produção e ajudar o povo.

"Nossa ideia era criar um clima de guerra civil com uma série de ações de impacto pra abalar as estruturas da ditadura. A gente queria mesmo criar o caos naquele 25 de janeiro".
Sobre a Noite de São Bartolomeu.

Se alguém da organização fumasse um baseado, Deus me livre. A gente expulsava o cara assim que soubesse.

A gente se sentia mesmo como super-homens, porque não havia nenhuma resistência. Entrava onde queria e tomava tudo o que queria. Todas as nossas ações foram vitoriosas. (...) Talvez, por isso mesmo a gente foi baixando a guarda, negligenciando, até ser presos daquela forma tão besta."

Eu me sentia um patriota, feliz por estar participando daquela guerra. Amava os companheiros, amava o povo, sentia o sofrimento do operariado, dos camponeses, e achava que algo tinha que ser feito contra a ditadura. Portanto, pra mim, a morte em combate ia ser como um prêmio. Se acontecesse de cair lutando, ia cair com orgulho, porque estava cumprindo meu dever sagrado de fazer a revolução.

A gente tinha que esconder aquela morte porque, se a ditadura descobrisse, ia fazer um bafafá danado. Fatalmente os policiais diriam:
— Olha a alma do terrorista como é: mata o próprio companheiro e ainda esconde o corpo da família.

(No Dops) eles continuavam a ameaçar a gente de morte. Então, para manter o moral alto, eu disse:
Seu general, se um dia o senhor tiver que me fuzilar, tenho um pedido a fazer!
— Qual é ele, Lobo?
— Que eu possa comandar meu próprio fuzilamento.

No primeiro de maio, tentamos cantar a Internacional Socialista. Os soldados do Exército calaram então as baionetas e ficaram passando as lâminas nos ferros das grades, ameaçando a gente ferozmente. Aquilo fazia um barulhão danado. Naquele dia, achei que ia morrer.

Pedro Lobo: 80 anos de um verdadeiro herói brasileiro.



        Fontes:


http://www.pedroeoslobos.blogspot.com/
http://www.rodrigovianna.com.br/sopa-de-letras/pedro-e-os-lobos-a-historia-de-um-sargento-comunista-que-combateu-a-ditadura.html
http://partisanrs.blogspot.com/2010/08/dica-de-leitura-pedro-e-os-lobos.html

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Comissão aprova regulamentação da profissão de Historiador

A Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público aprovou proposta que regulamenta o exercício da profissão de historiador. De acordo com a proposta, historiador é o profissional responsável pela realização de análises, de pesquisas e de estudos relacionados à compreensão do processo histórico e pelo ensino da História nos diversos níveis da educação.

O texto aprovado é o Projeto de Lei 7321/06, do deputado Jovair Arantes (PTB-GO), que tramita apensado ao PL 3759/04, do ex-deputado Wilson Santos. A relatora, deputada Alice Portugal (PCdoB-BA), recomendou a aprovação do projeto apensado, com emenda, e a rejeição do projeto principal. Segundo ela, os projetos regulam a matéria em termos análogos, mas o PL 7321/06 não obriga o Poder Executivo a criar conselho de fiscalização do exercício profissional, como faz o PL 3579/04 – o que é inconstitucional. “Tais conselhos são considerados autarquias especiais e só podem ser criados por meio de lei de iniciativa do Presidente da República”, explica.

O PL 7321/06 prevê, porém, a inscrição do historiador em conselho de fiscalização do exercício profissional. A emenda da relatora retira essa previsão.

Profissionais habilitados

Segundo o projeto, poderão exercer a profissão de historiador no País:

- quem tiver diploma de nível superior em História, expedido no Brasil, por instituições de educação oficiais ou reconhecidas pelo governo federal;
 
- os portadores de diplomas de nível superior em História, expedidos por escolas estrangeiras, reconhecidas pelas leis de seu país e que revalidarem seus diplomas de acordo com a legislação em vigor;
 
- os diplomados em cursos de mestrado ou de doutorado em História, devidamente reconhecidos;
 
- os que, na data da entrada em vigor desta lei, tenham exercido, comprovadamente, durante o período mínimo de cinco anos, a função de historiador.


Para exercerem as funções relativas ao magistério em História, os profissionais deverão comprovar formação pedagógica exigida em lei.

Atividades

A proposta também define as atividades e funções dos historiadores, entre elas:

- planejar, organizar, implantar e dirigir serviços de pesquisa histórica, de documentação e informação histórica;

- planejar o exercício da atividade do magistério, na educação básica e superior, em suas dimensões de ensino e pesquisa;

- elaborar critérios de avaliação e seleção de documentos para fins de preservação;

- elaborar pareceres, relatórios, planos, projetos, laudos e trabalhos sobre assuntos históricos;

- assessorar instituições responsáveis pela preservação do patrimônio histórico, artístico e cultural (museus, arquivos, bibliotecas).

Tramitação
A matéria segue para a análise, em caráter conclusivo, da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Íntegra da proposta: 
PL-3759/2004
http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=257482

PL-7321/2006
http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=330105

Fontes:

domingo, 13 de novembro de 2011

Vaticano vai expor bula que deu origem ao Tratado de Tordesilhas



O Vaticano vai expor em 2012 a bula Inter Coetera (1493), do Papa Alexandre VI, que instaurou a delimitação dos territórios descobertos por espanhóis e portugueses, posteriormente corrigida pelo Tratado de Tordesilhas (1494).
O documento papal é um dos cem escolhidos para a mostra multimídia Lux in Arcana – O Arquivo Secreto do Vaticano revela-se. A bula Inter Coetera dividia o chamado "novo mundo" entre Portugal e Espanha, através de um meridiano situado "100 léguas" a oeste do arquipélago do Cabo Verde. A coroa portuguesa viria a promover a negociação de um novo acordo, o Tratado de Tordesilhas, que estabeleceu um novo meridiano a 370 léguas das ilhas cabo-verdianas. A exposição Lux in Arcana vai ser acolhida pelo Capitólio, edifício que alberga as autoridades municipais de Roma.

Fontes: 

Agência Ecclesia


sexta-feira, 11 de novembro de 2011

No dia 11 de Novembro de 1975...


Dia da Independência de Angola 

Na seqüência do derrube da ditadura em Portugal (25 de Abril de 1974), abriram-se perspectivas imediatas para a independência de Angola. O novo governo revolucionário português abriu negociações com os três principais movimentos de libertação (MPLA - Movimento Popular de Libertação de Angola, FNLA - Frente Nacional de Libertação de Angola e UNITA - União Nacional para a Independência Total de Angola), o período de transição e o processo de implantação de um regime democrático em Angola (Acordos de Alvor, Janeiro de 1975).
No dia 10 de Novembro de 1975, o Alto Comissário e Governador-Geral de Angola, almirante Leonel Cardoso, em nome do Governo Português, proclamou a independência de Angola, transferindo a soberania de Portugal, não para um determinado movimento político mas sim para o “Povo Angolano”, de forma efectiva a partir de 11 de Novembro de 1975.
Parte do discurso dizia: "E assim Portugal entrega Angola aos angolanos, depois de quase 500 anos de presença, durante os quais se foram cimentando amizades e caldeando culturas, com ingredientes que nada poderá destruir. Os homens desaparecem, mas a obra fica. Portugal parte sem sentimentos de culpa e sem ter de que se envergonhar. Deixa um país que está na vanguarda dos estados africanos, deixa um país de que se orgulha e de que todos os angolanos podem orgulhar-se".
Agostinho Neto, foi o primeiro presidente de Angola. A decisão de reconhecer como legítimo o governo de Agostinho Neto foi tomada pelo então presidente Ernesto Geisel ainda a 6 de Novembro, antes da data oficial de Independência de Angola. A 11 de Novembro Agostinho Neto proclamou em Luanda a independência do país.

 
Fontes:


http://www.lusoafrica.net/v2/index.php?option=com_content&view=article&id=80&Itemid=101
http://mwangole.blogs.sapo.ao/2995.html

No dia 11 de Novembro de 1823...








D. Pedro I dissolve a Assembléia Constituinte

Homens escolhidos pela coroa redigem a Constituição do Brasil, que cria o Poder Moderador (exercido pelo imperador e que controlava os demais poderes) e a forma de eleições abertas, indiretas e censitárias (o voto censitário é um direito restrito a quem tem renda superior a um patamar mínimo estabelecido).


Retrato de D. Pedro I: 1823
Foto:
Reprodução autorizada pelo Museu Histórico Nacional
Crédito: Manuel Araújo/Museu Histórico Nacional



Fontes: