quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012


A Revolução Cabanagem  no Pará

            

           A Revolução da Cabanagem do Pará foi uma revolta da população de baixa categoria e renda, contra os poderes constituídos, segundo o historiador Caio Prado Júnior, "foi o mais notável movimento popular do Brasil... o único em que as camadas mais inferiores da população conseguem ocupar o poder de toda uma província com certa estabilidade. Apesar de sua desorientação, da falta de continuidade que o caracteriza, fica-lhe, contudo a glória de ter sido a primeira insurreição popular que passou da simples agitação para uma tomada efetiva de poder."
         A renuncia de D. Pedro I, deu a chance para o Brasil ser governado pela Regencia, iniciando um período de agitação porquanto a autoridade dos regentes sempre foram contestadas pelos colegas, pela corte, pela nobreza e pela população. O Brasil parecia ser uma terra sem dono, em quase todas as províncias davam-se levantes mais ou menos graves. Não se buscava idéias ou lutava-se para impor uma idéia, tudo, ou quase tudo envolvia interesses pessoais, naturalmente não faltando aquela mínima dose de idealismo.
         No Pará, a subversão, a corrupção, a falta de liderança, o amor pelo semelhante estavam prestes a acabar, porque a miséria batia as portas. De interessante do que se passava no Pará era que a escravidão sempre foi menos que em outras províncias, mas existia a escravização indireta dos tapúlas que eram os índios destribados.
         Em 1831, toma posse do governo da província o Visconde de Goiana, que só ficou regendo os destino da província 11 dias tendo sido derrubado por Marcelino Jose Cardoso, que havia sido educado em Portugal.
         Sem duvida, a deposição do Visconde foi devido aos interesses pessoas da classe dominante que passava a impor determinações que acabariam com a servidão indígena. Os tapúias, que receberam uma carga de destribalizacao, para viverem se empregava a razão de 20 a 40 reis por dia, descontando a alimentação e às vezes o vestuário, mas, trabalhando de sol a sol e cujos senhores se consideravam como proprietários, não deixando sair da empresa se não liquidassem todo o debito. Os que por ventura tentassem fugir encontravam simplesmente a morte.
         No dia 4 de dezembro de 1833, era nomeado um cidadão raivoso que deixou suas marcas em outras províncias, seu nome era Bernardo Lobo de Souza que trouxe para o comando das armas, outro cidadão que havia praticado horrores em Pernambuco, este cidadão era José Joaquim da Silva Santiago.
         O novo governo recém empossado assinou seu primeiro decreto anistiando todos os que participaram das revoluções de 1831 a 1833, revolução essa que foi iniciada em Pernambuco e Ceará, e que tinha por tema a volta de D. Pedro I ao trono brasileiro. Porem logo se observou que não tinha tropa suficiente para garantir a ordem, então começou a recrutar os jovens do interior, para formar seu exercito. Ao lado de tudo que fazia, procurou os homens da maçonaria, com que se aliou, então teve o bispo D. Romualdo de Souza Coelho como inimigo porque o bispo muito escutava o Benze - cacetes. No dia 18 de março de 1834 por intermédio de uma pastoral, declara guerra ao governo e daí então também entrou a Maçonaria.
         D. Romualdo manda que todos os padres armem os Tapúias e nas igrejas que chamem atenção para a frase que os maçons pronunciavam:
         “A natureza fez de tudo para todos, tudo é de todos: as mulheres e as filhas são comuns, são de todos: qualquer que se opuser a estas máximas se fará guerra com ferro, fogo, veneno, traição e enganos”.
         D. Pedro I havia sido aclamado Grão-Mestre da Maçonaria, mais uma razão para Logo Bernardo Lobo de Souza procurar D. Romualdo e ameaçá-lo e dizendo que se o povo rebelasse ele seria o único culpado. Devido a estas acusações o bispo se retira para o Cametá, mas, deixou Benze - cacetes para acusar o governo e a maçonaria.
         Lobo de Souza constituiu uma tropa de 300 homens e deu o comando para o jamaicano Guilherme Jomes Inglis que se dirigiu para a fazenda de Malcher. O ataque a Turiaçu seria por terra e pelo rio, mas os rebeldes tudo sabiam e numa volta do rio, quando ele se estreita, os rebeldes tomaram a barcassa, mataram todos inclusive o comandante Marinho Falcão. Retiraram os canhoes do barco e levaram para o mato, onde eram peritos para se orientarem e profundo conhecedores daquela região.
         No dia 6 de janeiro de 1835, a noite havia um espetáculo no teatro em Belem. Sorrateiramente os cabanos entraram na cidade, mataram Santiago e Lobo de Souza que dormia na casa de sua amante Maria Amelia o qual foi obrigada a se defender, mas que também foi morta, a maçonaria foi completamente destruída, Aranha era o dono da cidade, mandou o Capitão Nunes libertar os presos inclusive Malcher. No largo do Palácio, Felix Antonio Clemente Malcher era aclamado governador e aprovado um oficio para a Regência pedindo que não mandasse outro governador até a maioridade de D. Pedro II. O novo governador procurou tudo conciliar, mas teve que designar como assessores diretos Francisco Vinagre como Comandante das Armas e para secretario geral o Aranha, ainda aproveitava os tapuias o que tinham levado ao poder. No dia 9 de fevereiro, Malcher demitiu Vinagre, este reúne as tropas e marcha contra o governador, na porta do Palacio se encontram Malcher e Francisco Vinagre, após violenta discusao, Malcher toma a espada para matar seu auxiliar, o que é impedido por Antonio Vinagre. O governador manda prender Eduardo Angelim, mas devido seus pronunciamentos a população o aplaude, Malcher manda sua tropa espingardear Angelim e a tropa não obedece. Parecia estar tudo calmo, quando Francisco Vinagre no dia 19 de fevereiro de 1835, com sua tropa invade o Arsenal e inicia novamente a luta. Belém nesse ponto passava a ser bombardeada e uma parte era destruída, quando Malcher se deslocava num batalhão, um individuo chamado Quintilhano lhe tira a vida com um tiro. A cidade voltou as mãos de Francisco Vinagre e Eduardo Angelim, sendo o primeiro o novo governador e designado como comandante das armas, Pedro Figueiredo, a confusão, o crime, a corrupção voltou a funcionar em toda a Província.


Cidade de Belém durante o conflito

         O governo imperial designa para a presidência da Província o Marechal de Campo Manoel Jorge Rodrigues que na Bahia recebe o apoio do bispo paraense D. Romualdo Antonio Seixas. Finalmente, conseguindo esquadra e tropa, segue para Belém.
         No dia 26 de junho de 1835, o Marechal Rodrigues toma posse como Presidente da Província. De inicio Vinagre aceitou, mas com o passar dos dias, rebelou-se, o Marechal o derrota porque o povo já estava por demais cansado de tanta luta.
         Em abril de 1836, o Marechal Manoel Jorge Rodrigues volta para o Rio de Janeiro sob o governo do Regente Feijó, mas deixa o Pará pacificado.
A Cabanagem, porém, não havia acabado. Os cabanos, internados na selva, lutaram até 1840, até serem completamente exterminados (nações indígenas foram chacinadas; os murá e os mauê praticamente desapareceram).
Entre os anos de 1837 e 1838, o esforço para desintegrar a resistência cabana atomizada na imensidão da Amazônia, prosseguiu durante esses anos, quando a Revolução Farroupilha no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina atingiam o seu apogeu. Em 1839 os cabanos cederam com a declaração de anistia aos revoltosos, sendo que em 1840 o último foco rebelde, sob liderança de Gonçalo Jorge de Magalhães, se rendeu. Trabalho de reintegração e pacificação que foi consolidado com a maioridade de D,Pedro II.
Calcula-se que de 30 a 40% de uma população estimada de 100 mil habitantes morreu. Em 1833 o Grão-Pará tinha 119.877 habitantes; 32.751 eram índios e 29.977, negros escravos. A maioria mestiça ("cruzamento" de índios, negros e brancos) chegava a 42 mil. A minoria totalizava 15 mil brancos, dos quais mais da metade eram portugueses.
Em homenagem ao movimento Cabano foi erguido um monumento, projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, na entrada da cidade de Belém: o Memorial da Cabanagem.

 
Memorial da Cabanagem


 Fontes:

VERNALHA, Milton Miró. As Revoluções brasileiras. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 1993
PRADO Jr., Caio. Formação do Brasil Contemporâneo. São Paulo, Editora. Brasiliense, 23" edição, 1994.
http://www.brasilcultura.com.br/historia/a-cabanagem-grao-para-1835-1840/

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